O problema que causou a suspensão da emissão de vistos para os Estados Unidos, e que afeta as embaixadas do país em todo o mundo, está no banco de dados Oracle, responsável por manter todas as informações do sistema de vistos e pela integridade dos dados do Banco de Dados Consular Consolidado (CCD, na sigla em inglês).

Uma nota do Birô de Assuntos Consulares do Departamento de Estado americano informou que o problema surgiu após um procedimento de atualização do software, no último dia 20, para melhorar o desempenho do sistema para o CCD, como havia sido recomendado pela Oracle. “Prevemos que vai levar semanas para retomar a capacidade de processamento de vistos completo”, diz a nota.

Em entrevista coletiva neta sexta-feira, 1º, a vice-porta-voz do Departamento de Estado, Marie Harf, disse que os especialistas em TI têm se esforçado para corrigir o mau funcionamento do banco de dados e admitiu que ele, realmente, já vem “enfrentando problemas de desempenho intermitente durante vários meses”. “Nós corrigimos ele para tentar resolver os problemas”, disse ela. “No entanto, nosso banco de dados começou a ter problemas de desempenho logo após a manutenção ser realizada.”

Procurada por este noticiário, a Oracle no Brasil não havia retornado até o momento para falar sobre a falha.

Diante do problema, que ainda não teve a causa identificada nem prazo para a normalização, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil informou que a emissão dos vistos está sendo processada “mais devagar” e recomenda que pessoas sem visto e com viagem marcada para as próximas duas semanas adiem a partida.

Vistos não emitidos

Até o dia 14, mais de meio milhão de vistos americanos foram emitidos pela Missão Diplomática dos Estados Unidos no Brasil, em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e no Recife. O número é 4% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. Somente no ano passado, o Birô de Assuntos Consulares dos EUA emitiu 9,1 milhões de vistos de não imigrantes e quase meio milhão de vistos de imigrantes, juntamente com a emissão de cerca de 13 milhões de passaportes.

O sistema estava desligado até o dia 23 de julho, quando as operações foram parcialmente restauradas, mas ainda não está funcionando em plena capacidade. “Nós acreditamos que a raiz do problema foi uma combinação de otimização de software e problemas de compatibilidade de hardware”, disse Marie. “Acreditamos que não houve um ataque por malwares. É hardware e um problema de software que estamos trabalhando para corrigir”, disse ela, rejeitando a ideia de que a falha poderia ser resultado de um ciberataque.

A falha já afetou um grande número de pessoas que pretendiam viajar para os EUA, que tem mais de 200 consulados em todo o mundo. Desse modo, o Departamento de Estado diz que aqueles que pretendiam obter vistos de negócios para viajar ao país terão de adiar ou cancelar a viagem. O mesmo se aplica a atletas, atores e outros profissionais, que podem deixar de cumprir os contratos firmados anteriormente e deveriam estar presentes nos EUA em uma determinada data.

O Departamento de Estado lamentou o problema, mas informou que não haverá reembolso para aqueles que foram prejudicados, em especial, estudantes de outros países. “Lamentamos sinceramente qualquer atraso, inconveniência ou despesa que os candidatos tenham pode ter incorrido. Embora possa ser de pouco consolo para aqueles que experimentaram dificuldades, temos sempre muito cuidado para dizer que os viajantes não façam planos de viagem até fazer o visto estar em mãos. Mesmo quando o CCD [Centro Consular de Dados] está funcionando normalmente, pode haver atrasos nos vistos de impressão. O departamento não tem a autoridade para reembolsar os candidatos”, explica a nota.
Com informações de agências internacionais, Agência Brasil e site de notícias RT.

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